quarta-feira, 9 de março de 2016

A GUERRA DE ÓDIO AO PT



Hoje existe uma inegável campanha de ódio contra o PT e seus membros e simpatizantes, e isso foi construído progressivamente. Tudo começou com “inocentes” e-mails que muitos de nós recebemos, desde a chegada de Lula à presidência: refiro-me a mensagens de conteúdo agressivo a Lula e ao PT, enviadas por pessoas ligadas a contatos nossos. Posteriormente as postagens ofensivas a Lula se tornaram muito comuns também nas redes sociais. Lembro, também, de declarações de Aécio Neves (anos antes da campanha de 2014) no sentido de que o PSDB deveria ser mais agressivo com o PT. Citei pequenos indícios de que um trabalho vinha sendo desenvolvido pelos tucanos para retomar o pode. Apesar de sempre ter havido um clima desfavorável ao PT, foi somente a partir do mensalão que as coisas se acirraram para além da normalidade. A grande mídia centrou fogo no partido, mas este conseguiu reagir, primeiro devido ao imenso carisma de Lula, que resistia a todos os ataques e ainda aumentava sua popularidade. Outro fator importante é que ainda havia alguns poucos editores imparciais na grande mídia, possibilitando um mínimo de debate.

Passado o vendaval do Mensalão, o PSDB e a mídia foram incrementando várias ações para fomentar o ódio ao PT. Além de aumentar a intensidade das acusações (muitas vezes sem nenhuma prova), a grande mídia deu espaço para vários apresentadores anti-PT, como Danilo Gentille e Rachel Scherazade. Mais absurdo foi o fato de que o  governo de São Paulo pagou durante anos o dono de um blog cuja função era a de disseminar ódio ao PT. No entanto foi a partir da campanha presidencial de 2014 que a intensidade da guerra ao PT ganhou uma dimensão infinitamente maior. Isso ocorreu devido a uma confluência de fatores. Um fator importante foi que a grande mídia televisiva e impressa praticamente baniu os editores imparciais. Outro fator importante foi a união dessa mídia com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. Nessa parceria, destacam-se os vazamentos da Operação Lava-Jato, que acontecem em momentos estratégicos, como por exemplo, um que ocorreu na véspera da votação do primeiro turno. É preciso destacar que entre os integrantes da Operação há muitos simpatizantes do PSDB, principalmente entre os policiais. O fator decisivo foi a simbiose entre a grande mídia, a oposição, e uma parte da justiça (a parte tucana, que tomou o poder no MPF e na PF) a partir de 2014, liderados pelo PSDB, desequilibrando o jogo a tal ponto que o governo e o PT não conseguiram mais opor resistência à guerra de ódio em curso.

Vale fazer um parêntesis para destacar que essa guerra de ódio não chegaria ao ponto que chegou se a grande mídia brasileira não fosse o que é, uma das mais monopolizadas do mundo, avessa à pluralidade de visões, difundindo o pensamento único, e defendendo os interesses dos poderosos. Por isso foi até natural o fortalecimento dessa mídia com a oposição, PSDB à frente, tornando-se, assim, a poderosa máquina anti-PT que é hoje, o veículo pelo qual o ódio ao partido é reverberado e disseminado. A fórmula utilizada consiste em veicular somente notícias negativas (sobre o PT); já as notícias favoráveis ao partido são omitidas, sonegadas descaradamente. Outro ponto central desse trabalho sujo é não dar voz ao partido, que não tem a chance de se defender. Quando trata de corrupção, a grande mídia dá destaque imenso a tudo que envolva o PT. Já em relação a acusações, denúncias, delações envolvendo os demais partidos são tratadas de maneira superficial e “amigável”, principalmente quando se refere ao PSDB. Nos debates que promovem, quase sempre convidam somente participantes anti-PT. Somente intelectuais ligados ao PSDB , como Marco Antônio Villa, recebem espaço permanente na mídia. Dessa forma, a grande mídia ignora o principio de oferecer o contraditório, que é a base do jornalismo imparcial. Em consequência de tudo disso, a população só toma conhecimento das notícias e idéias contrárias ao PT. Infelizmente a população (e especialmente os jovens) ainda não aprenderam a buscar informação em fontes imparciais, que se localizam, quase todas, nos blogs e portais de jornalistas independentes na internet. Isso seria fundamental no Brasil, pois nossa mídia conservadora não respeita a pluralidade de opiniões, difunde o pensamento único dos poderosos. É urgente que se faça a democratização da mídia no Brasil, através da regulação dos meios de comunicação, como fizeram todas as grandes democracias consolidadas do mundo. É um círculo vicioso: sem democratização da informação, não há democracia.

Mesmo elevando enormemente o seu poder de destruição a partir da aliança com a grande mídia e o judiciário, nem assim a direita liderada pelo PSDB se conteve, e abriu outros flancos de ação para elevar ainda mais o ódio do povo, visando depor Dilma Rousseff e destruir o PT. Um dos flancos é a ação de grupos que lideram as passeatas pelo impeachment de Dilma. Só que a grande mídia omite a preciosa informação de que esses grupos são financiados pelos irmãos Koch e por grandesempresários brasileiros. Ou seja, os principais mentores e financiadores da ultra-direita americana financiam esses grupos, e é preciso lembrar que os bilionários irmãos Koch estão entre os mais ricos do mundo. Pelo menos um desses grupos dissemina não só o ódio, mas também a violência. Em São Paulo, vários diretórios do PT (e pelo menos uma sede da CUT) foram atacados, inclusive com bomba (coquetel molotov), fatos esses que sequer são divulgados pela mídia, além de serem ignorados pela polícia tucana. É preciso destacar que os irmãos Koch não se limitam a financiar grupos de direita, mas também financiam um exército de palestrantes jovens, que disseminam os valores ultraconservadores entre os jovens brasileiros e latino-americanos.

Enfim, devido a essa artilharia pesada contra o PT, o uso constante de calúnia e difamação, somados à omissão e sonegação de notícias, resultou que uma boa parte da população passou a acreditar que só o PT está envolvido em corrupção e, mais do que isso, acreditam que a corrupção começou com esse partido, porque é essa idéia que a grande mídia difunde. Por não ter consciência crítica, nosso povo absorve idéias e valores impostos por toda essa imensa máquina de guerra, de ódio. É muito triste perceber que no Brasil de hoje está prevalecendo o principal princípio da propaganda nazista, de que uma mentira repetida milhões de vezes acaba se tornando verdade, e por isso a máquina de ódio está vencendo a batalha. Até quando?

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