quarta-feira, 16 de março de 2016

QUEM É O "POVO" QUE FOI ÀS RUAS NO DIA 13/03?

Terminada a  manifestação de 13/03 contra o governo Dilma, a grande mídia comemorou mais uma vez a "tomada das ruas pelo povo". Na sequência vieram os programas de debates entre os jornalistas das tvs e um ou outro convidado, com a finalidade de repercutir os fatos e os seus desdobramentos. Nesses debates eles falam do recado das ruas ao governo, do aumento da insatisfação do povo com o governo, da influência que o evento pode proporcionar na votação do impeachment, da saída do PMDB da base de apoio ao governo, etc., e em nenhum momento nos oferecem informações mais específicas sobre quem estava nas ruas no dia 13/03. Isso é acaso, coincidência? Sem essas informações, a compreensão do evento fica no mínimo comprometida, e com márgem para equívocos.  É sabido  que o povo realmente não está contente, tendo em vista o desemprego e a subida da inflação, entre outros problemas, mas quando a grande mídia alardeia a insatisfação do povo presente na manifestação do dia 13, ela omite, e mesmo sonega, importantes informações inerentes a essas manifestações, e que foram levantados pelo insuspeito Instituto DataFolha, em mais uma pesquisa realizada naquele dia junto aos manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo, que transcrevo abaixo.


"A maior parte dos manifestantes da Paulista eram homens (57%, ante 43% de mulheres), 77% declararam ser de cor branca (ante 63,9% da população da região metropolitana de São Paulo que se declara branca) e a média de idade girava em torno de 45 anos, segundo o Datafolha. A renda e a escolaridade dos manifestantes que compareceram ao ato também é superior à média da população paulistana. Metade dos participantes do protesto (50%) ganhavam acima de cinco salários mínimos (4.400 reais), com 24% recebendo entre dez e vinte vezes o valor mínimo fixado de 880 reais (8800 reais). No caso da escolaridade, 77% dos entrevistados declarou possuir o Ensino Superior completo - no município, o índice de pessoas com diploma do Ensino Superior é de 28%. Tal patamar é praticamente o mesmo do colhido nas demais manifestações anti-Dilma ocorridas em 2015".

Os dados acima mostram que em São Paulo o perfil dos manifestantes é o da classe média típica, e portanto fica claro que mais uma vez os pobres, mesmo descontentes, não estiveram presentes na manifestação, pelo menos não de forma representativa. Também ocorre omissão da mídia quanto ao aspecto ideológico dos manifestantes. Em todas as manifestações pro-impeachment anteriores da Avenida Paulista o DataFolha apurou que entre os presentes, mais de 75% haviam votado em Aécio Neves, sendo que em várias outras grandes capitais o resultado foi muito próximo. Dessa vez o DataFolha apurou somente a preferência partidária, no que o PSDB foi apontado com 21% da preferência dos presentes, mas os demais dados apurados mostram que o percentual de eleitores de Aécio  não sofreu uma baixa significativa, mas houve indícios de que a direita mais conservadora tomou algum espaço do PSDB na manifestação.

Analisando os dados acima, fica claro que o perfil dos manifestantes não é o do pobre, mas de classe média, e predominantemente de eleitores de Aécio Neves. Essas informações básicas e fundamentais continuam sendo omitidas pela grande mídia, que assim induz as pessoas que não tem senso crítico a dar à manifestação uma representação que ela não têm na realidade dos fatos, tendo em vista que os pobres não saíram efetivamente às ruas, seja para apoiar ou protestar contra o governo. No final, a grande mídia cumpre o seu papel de distorcer a realidade e criar uma imagem que convém à elite da qual ela é parte.

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