Muito já se falou sobre o recente episódio da pesquisa do Instituto DataFolha (subordinado à Folha de São Paulo), quando o jornal escondeu do público o principal dado apurado: que 60% dos brasileiros querem eleição para Presidente já. Apesar da enorme gravidade do fato ocorrido, que deveria ser tratado como crime contra a democracia, há indícios de que estejamos diante de uma trama muito complexa (e diabólica), e não um mero erro da Folha. Basta analisar os acontecimentos que se seguiram à publicação da pesquisa pela Folha para perceber algo estranho no ar. Primeiro, toda a grande mídia repercutiu enormemente o resultado divulgado pela Folha, favorável à Temer. Na sequência o jornalista jornalista Glenn Greenwald (americano que mora no Brasil há mais de uma década, e ganhador dos dois maiores prêmios do jornalismo dos EUA - Pulitzer, e daqui - prêmio ESSO) desmascarou a farsa, revelando o dado que a Folha escondeu, desfavorável à Temer. E quem realmente repercutiu essa revelação foi a mídia alternativa baseada na internet, comandada por grandes jornalistas como Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassiff, Luís Carlos Azenha, e outros portais e blogs da web. Já a grande mídia limitou-se à pequenas notas, ao contrário do momento da publicação da pesquisa pela Folha, quando fizeram imensa repercussão. Poderíamos pensar que acabou havendo um contraponto, através da mídia alternativa, à repercussão inicial promovida pelos grandes veículos. Só que a realidade está muito distante disso, pois hoje o alcance da grande mídia é imensamente maior do que a mídia alternativa, e continuará sendo ainda por algum tempo, e talvez ainda por muitos anos. Infelizmente falta consciência crítica à grande maioria do povo brasileiro que, ainda por cima, se informa através do Jornal Nacional, o principal patrocinador do golpe contra Dilma. Mesmo a maioria dos jovens na faixa dos 30 anos, que se informam através da internet, acabam se utilizando dos conteúdos produzidos pela grande mídia, ao invés de recorrer à mídia independente. Cabe lembrar, também, que a grande mídia brasileira não sofre qualquer tipo de regulação, ao contrário do que ocorre nas grandes democracias consolidadas (Alemanha, França, Inglaterra, e muitos outros). O resultado disso é que hoje
temos uma ditadura da grande mídia, toda ela conservadora e aliada das elites predadoras do país. A realidade existente no Brasil nesse setor ficou bem ilustrada na declaração dada pelo jornalista Glenn Greenwald, de que os grandes jornais brasileiros se portam como se se fossem meras assessorias de imprensa dos partidos de direita, incluído aí o PSDB.
Com todo o poder acumulado nos últimos anos, essa mídia tem ficado impune quando ultrapassa os limites da ética jornalística, e isso não ocorre à toa, já que ela ataca somente os setores da esquerda. Com isso convivemos com um autêntico vale-tudo contra Dilma, Lula, o PT e qualquer um que não concorde com o projeto de poder da direita conservadora. Nesse sentido, tem sido rotina as campanhas de ódio da grande mídia contra a esquerda, utilizando-se fartamente de calúnia, difamação, notícias inventadas ou omitidas, chegando até ao escândalo da pesquisa do DataFolha. Como não existe regulação, na hora de retratar-se (direito de resposta) a grande mídia não faz nenhuma repercussão, e essa acaba sendo a sua grande arma. Na certeza da impunidade, a grande mídia fica à vontade para agir como quiser pois, no caso de ser dado direito de resposta ao adversário, o máximo que ela terá que fazer será publicar uma nota (resposta do interessado), que não receberá nenhuma repercussão da parte deles. Por isso tem sido muito vantajoso para a grande mídia utilizar-se dos truques sujos contra seus adversários da esquerda, pois o efeito da retratação, ou direito de resposta, é nulo se comparado com a repercussão dada à notícia original.
Concluindo, o que penso é que não houve erro de fato, mas um ato premeditado da Folha, sabendo que ficaria impune. Na verdade houve um crime contra a democracia, mas a justiça até agora não demonstrou nenhuma vontade de apurar isso. Mas essa omissão da justiça também não é nenhuma novidade, quando o alvo é a esquerda.
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