Depois de perceber o inquestionável crescimento do apoio a Dilma nas manifestações de 18/03 e 31/03, a grande mídia passou a trabalhar na sustentação da tese do impeachment como instrumento previsto na Constituição e que, portanto, não é golpe. Apresentaram entrevistas com importantes juristas, mas no final o que entregam ao telespectador é a visão pré-estabelecida, de que impeachment não é golpe, claro. Para impor ao leitor/telespectador a sua versão do assunto, não exitam em distorcer o teor das entrevistas, seja quem for o entrevistado. Quando falam do impeachment, as emissoras e jornais omitem, sempre, que o impeachment previsto na Constituição só é válido se houver crime de responsabilidade, pois é assim que está previsto na Constituição. Mesmo que o entrevistado aborde esse aspecto do crime de responsabilidade, a mídia fecha os olhos e ouvidos para esse ponto fundamental e decisivo, pois se não há crime de responsabilidade, não pode ter impeachment. Esse empenho da mídia mostra que estão preocupados com a ascensão visível do apoio à permanência de Dilma, e tentam impedir, com o seu jornalismo parcial, que seu público tome consciência do que realmente está acontecendo. E assim o leitor/telespectador é manipulado para adotar a posição que a mídia lhe impõe.
E na comparação com o impeachment de Fernando Collor, então, a mídia se supera na omissão de informações. Aliás, evitam ao máximo fazer essa comparação, pois sabem bem a qual dos dois o impeachment é cabível. Não informam que no caso Collor o crime de responsabilidade ficou definido antes da abertura do processo de impeachment, através da CPI que investigava PC Farias, o braço direito do presidente. Agora o que fizeram foi abrir o processo de impeachment sem a existência do crime de responsabilidade. Para justificar isso, eles falam que o processo é político, não precisa de um crime, pois está claro que as pedaladas fiscais não são crime de responsabilidade. Isso estaria correto se o sistema político brasileiro fosse parlamentarista, onde os deputados trocam o primeiro-ministro (que é o governante de fato nesse sistema) quando acharem conveniente. Não é o caso do Brasil, que não é parlamentarista, e portanto o que estão fazendo não passa de um truque sujo, e o STF tem a obrigação de não permitir que atinja o seu objetivo de remover a presidente do poder sem o cumprimento do que está estabelecido na constituição. No entanto, é imprevisível saber como o STF vai se portar, pois a pressão da mídia e da oposição sobre os ministros tem sido enorme (vide as ameaças aos ministros Teori, Facchin e Barroso), e deverá ser ainda maior se o STF for acionado para arbitrar o impeachment.